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Estudantes se preparam para a grande final da ONHB

  • Publicado: Sexta, 15 de Junho de 2018, 08h13
  • Última atualização em Quinta, 30 de Agosto de 2018, 08h04
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Um mergulho no passado; uma aventura pelo presente. Iniciativa extensionista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) está em sua 10ª edição neste ano e contou com a participação de 21 equipes do Campus Jacobina do IFBA. Cada grupo esteve composto por três estudantes dos cursos técnicos integrados ao ensino médio, além da professora da disciplina Carla Côrte, coordenadora local da competição e mestra em história social.

Desde 2015 o campus participa do evento, chegando, em todas as edições, à prova final. Dividida em fases realizadas virtualmente e de maneira presencial, a ONHB 2018 abrange provas de múltipla escolha, nas quais há mais de uma questão correta, com pontuações diferenciadas a depender do grau (analítico ou descritivo, por exemplo); desenvolvimento de tarefa-surpresa e atividade de caráter dissertativo, esta última ensejando a ida dos jovens a Campinas. “É um momento em que eles interagem com estudantes e professores de todo o país, além de ter a oportunidade de conhecer uma das melhores instituições de ensino da América Latina”, destaca a profa. Carla.

Premiado em 2017 com o bronze, o Campus Jacobina foi o único medalhista no âmbito do ensino público do interior baiano. O tema da prova dialogou com as Diretas Já, a meritocracia e o acesso da população negra à educação, enquanto a tarefa desenvolvida pelo trio vencedor do 3º lugar nacional consistiu num pasquim, espécie de jornal satírico. Neste ano o desafio é a confecção de um jornal escolar para discutir, a partir de argumentos históricos, favoráveis ou não, o projeto da Reforma da Previdência e seus desdobramentos.

imagem: imagem: equipe ganhadora do bronze em 2017 ao lado da profa. Carla segurando a bandeira do estado da Bahia

Equipe medalhista do bronze em 2017 - Arquivo Pessoal

“O tema da ONHB deste ano nos remete às relações entre as leis, a justiça, os direitos e a cidadania. Estamos refletindo sobre os modos pelos quais as leis vão se transformando ao longo do tempo, tanto na forma como são escritas quanto interpretadas e aplicadas. As leis revelam os jogos de poder, lutas por direitos e os costumes de cada período, e, por isso, são um objeto privilegiado da história”, explica Carla.

Por dentro da história...

De perspectiva interdisciplinar, a Olimpíada tece aproximações com outros ramos do saber, como geografia, literatura, arqueologia, urbanismo e atualidades. “Identifico que os alunos participantes da ONHB são os mais ativos, autores dos debates mais qualificados. Ultrapassando a sala de aula, a Olimpíada contribui sobremaneira para a autonomia e a formação crítica dos nossos estudantes, além de incentivar o perfil de pesquisador, na busca por fontes diversas. Dois egressos do IFBA estão hoje na Universidade de São Paulo (USP). Um deles só não prestou vestibular pra História devido à concorrência, optando por Letras. Acredito que ter participado da ONHB influenciou nessas escolhas e resultou no bom desempenho acadêmico”, pontua a docente.

Reunidos semanalmente para discutir questões relacionadas às provas e diariamente através de aplicativos, os grupos do Campus Jacobina vivenciam a construção e reconstrução constante de ideias. Mediadora do debate, a professora declara que apenas apresenta os caminhos, garantindo que os protagonistas são os próprios estudantes.

A jovem Alice Freitas, 18, aluna do 4º ano do curso técnico integrado de mineração, inscreveu-se, pela primeira vez, na ONHB, em 2017, e foi logo conquistando medalha. “Conhecia a Olimpíada desde o ensino fundamental, mas não havia participado ainda. Uma colega me falou. Então fizemos o trio. Considero uma experiência nova, muito interessante", narra a estudante.

Nas suas palavras, as fases das provas online contribuem diretamente para o desenvolvimento intelectual, mas a comunicação com outras pessoas, o que classifica de “troca cultural”, é o maior benefício. “O trabalho em equipe, a interação com professores e estudantes de outros estados, é importante para nossa vida acadêmica e pessoal”. Intitulada As Guerrilheiras do Araguaia, sua equipe teceu homenagem a mulheres que marcaram a história do país.

Já o colega Antony Araújo, 17, do curso de informática (4º ano), participa desde 2015 da Olimpíada, quando teve orientação do professor Jorge Luz. Apesar de não ter chegado à etapa presencial nem recebido medalha, na sua opinião, estar na ONHB é sinônimo de aprendizado: “As pessoas geralmente acham que é preciso saber muito sobre história, mas a Olimpíada ajuda, desenvolve essa capacidade”, conta.

Ao longo dos anos, o jovem experimentou os desafios das olimpíadas de física e matemática, e até competição para construção de protótipos de foguetes. Chamado de Maria Pitú, seu trio homenageou uma personagem emblemática de Jacobina (in memoriam), famosa pelas típicas frases em que expunha as relações de gênero: “'É só homem que pode beber ou andar a cavalo?' Ela sempre estava no bar”, rememora Antony.

imagem: Alice e Antony sorrindo para a câmera

Alice e Antony

Em comemoração pelo aniversário de dez anos de existência, a coordenação da ONHB está organizando um livro com depoimentos e narrativas de professores envolvidos com a iniciativa. A prática pedagógica de Carla Côrte em torno do processo formativo inaugurado com a Olimpíada será uma das narrativas compartilhadas. Dentre outros ganhos, o acesso às mais variadas fontes históricas, sujeitos, concepções e referências bibliográficas que restituem o lugar de fala de grupos socialmente invisibilizados e ressaltam o protagonismo feminino são destaques para a docente.

“Na interface com essas descobertas, a ONHB é um agente motivador na construção, com os estudantes, de outras possibilidades de ensinar e aprender História. Nessa experiência, potente e transformadora, estabelecemos um diálogo com os vários segmentos envolvidos no processo educativo, construindo aprendizagens individuais e coletivas, que me parecem muito significativas. Isso amplia e oxigena o exercício docente”, revela Carla.

Das 21 equipes do Campus Jacobina, oito se classificaram para a 5ª fase e uma (Filipa e seus Cansanções), formada pelos estudantes do 3º ano de eletromecânica Heitor Araújo, Iany Raíssa e Ruhan Tácio, segue para a grande final presencial, que ocorrerá nos dias 18 e 19 de agosto, no estado de São Paulo.

Ao todo, 311 equipes foram convocadas para a última fase da competição. A Bahia é o 5º estado do Nordeste com maior representação no evento, somando 12 equipes. Nossa região responde por 67% do número total de finalistas.

imagem: estudantes classificados para as últimas etapas ao lado da profa. Carla em frente à fachada do campus

Equipes classificadas para a 5ª fase

 

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Texto e fotos: Verusa Pinho

Colaboração: profa. Carla Côrte

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